5 de mai de 2014

Teenage Dream - 38

Blaire's P.O.V
Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão, puxaste-me para os teus olhos transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua, ainda apanhámos o crepúsculo. As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar diferente inundava a cidade. Sentei-me nos degraus do cais, em silêncio. Lembro-me do som dos teus passos, uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas, e a tua figura luminosa atravessando a praça até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é, o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali, continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha essa doente sensação que me deixaste como amada recordação. Ah, lembrança, lembrança, que me queres? O Outono Fazia voar os tordos plo ar desmaiado E o sol dardejava um monótono raio No bosque amarelado onde a nortada ecoa. A sonhar caminhávamos os dois, a sós, Ela e eu, pensamento e cabelos ao vento. De repente, fitou-me em olhar comovente: Qual foi o teu mais belo dia?» disse a voz De oiro vivo, sonora, em fresco timbre angélico. 

Um sorriso discreto deu-lhe a minha réplica E então, como um devoto, beijei-lhe a mão branca. Ah! as primeiras flores, como são perfumadas! E como em nós ressoa o murmúrio vibrante Desse primeiro sim dos lábios bem-amados! E tu esperas, aguardas a única coisa que aumentaria infinitamente a tua vida; o poderoso, o extraordinário, o despertar das pedras, os abismos com que te deparas. Nas estantes brilham os volumes em castanho e ouro; e tu pensas em países viajados, em quadros, nas vestes de mulheres encontradas e já perdidas. E então de súbito sabes: era isso. Ergues-te e diante de ti estão angústia e forma e oração de certo ano que passou. 

Não te afastes, lembrança, não te afastes! Rosto, não te desfaças, assim, como na morte! Continuai a olhar-me, olhos enormes, fixos, como um instante me olhastes! Lábios, sorri-me, como me sorristes um instante! Ai, fronte minha, aperta-te; não deixes que se espalhe sua forma fora do seu vaso! Oprime o seu sorriso e o seu olhar, até serem a minha vida interna! Embora me esqueça de mim mesmo; embora o meu rosto, de tanto o sentir, tome a forma do seu rosto; embora eu seja ela e nela se perca a minha estrutura! — Oh lembrança, sê eu! Tu — ela — sê lembrança inteira e única, para sempre, lembrança que me olhe e me sorria no nada; lembrança, vida com minha vida, feita eterna, apagando-me, apagando-me! A saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida.

 Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, Ou quando alguém ou algo não deixa que esse amor siga, Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber. Como eu queria que fosse algo superável. Vai, minha tristeza, e diz a ela Que sem ela não pode ser Diz-lhe, numa prece, que ela regresse Porque eu não posso mais sofrer Chega de saudade, a realidade é que sem ela Não há paz, não há beleza É só tristeza e a melancolia Que não sai de mim, não sai de mim, não sai Mas, se ela voltar, se ela voltar Que coisa linda, que coisa louca Pois há menos peixinhos a nadar no mar Do que os beijinhos que eu darei na sua boca Dentro dos meus braços Os abraços hão de ser milhões de abraços Apertado assim, colado assim, calado assim Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim Não quero mais esse negócio de você viver assim Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim.

~ + ~

Perdoem o tamanho dos capítulos ultimamente, estou procurando escrever com as palavras certas. Perdoem também todos os erros ortográficos tá? Desculpem! Bieberkiss

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